Santuário Nossa Senhora da ConceiçãoStreetView
Foto 360
HistóricoAcredita-se que foi o bandeirante Antônio Dias o construtor da primitiva capela de taipa, logo no início da instalação do primeiro arraial, em 1699. Em 1707 já existia essa capela, a primitiva Matriz de Nossa Senhora da Conceição. Era a Matriz Velha da Conceição, muito maior do que sua contemporânea, a Matriz de Nossa Senhora do Pilar. Há documentos datados de 1727 e 1729, comprovando o enterramento de escravos. De acordo com a tradição as Matrizes estavam voltadas para a rua Direita que, ao contrário do que se pode pensar, é uma rua torta, é na realidade "direta". Atualmente a antiga rua Direita chama-se Bernardo de Vasconcellos. Em 1727, Manuel Francisco Lisboa é encarregado de elaborar o projeto da nova Matriz. Esta grande igreja é uma das mais importantes de Ouro Preto, não só pelas suas proporções, como pela sua qualidade arquitetônica, incluída ai a esplêndida ornamentação interior. A atribuição do projeto a Manuel Francisco Lisboa baseia-se principalmente na "Memória que se lê no respectivo livro de registro de fatos notáveis estabelecido pela ordem régia de 20 de julho de 1782", segundo Rodrigo José Ferreira Bretas - Traços Biográficos do Finado Antônio Francisco Lisboa, publicado pelo "Correio Oficial de Minas", em 1858, na Revista do Arquivo Público Mineiro, Vol. 1 em 1896 e nas Publicações do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional nº 15, Rio, 1951. A Memória acima referida é o depoimento do 2º Vereador do Senado da Câmara de Mariana, José Joaquim da Silva, contemporâneo da época das grandes construções em Ouro Preto. O depoimento do vereador, transcrito por Bretas, é confirmado pelos documentos que se vão descobrindo de modo que tanto Silva como Bretas tornam-se fontes fidedignas de informação. Manuel Francisco Lisboa, além de traçar o projeto, foi o arrematante das obras, e seu nome figura em pagamentos, feitos por diversos trabalhos até 1742. É de supor que, em meados do século XVIII, a igreja já estaria terminada, no que respeita as obras de alvenaria, cobertura, soalhos, forros, esquadrías, enfim os componentes arquitetônicos básicos. Durante todo o século XVIII e inicio do século XIX, estenderam-se os trabalhos relativos à ornamentação interior. Há pouca documentação com referência a esses trabalhos. Sabe-se com segurança que entre 1760 e 1765 Filipe Vieira, entalhador, foi pago por trabalhos de talha na capela-mor. Quanto à fachada, há notícia de que em 1794 já estaria arruinada, e que foi reconstruída no século XIX. Alguma influência neoclássica ter-se-á manifestado nessa reconstrução, mas não chegou a alterar substancialmente a obra original. Bazin é de opinião que o frontispício se teria tomado "uma evidente imitação neoclássica da igreja do Carmo da mesma cidade". Ora, o projeto do Carmo deve-se ao mesmo autor da Matriz de Antônio Dias: Manuel Francisco Lisboa. Nada mais natural que o autor tivesse utilizado, em 1766 (Carmo), o mesmo esquema de composição, inclusive o frontão e o arqueamento central do entablamento e até o medalhão linear traçado no corpo do frontão. Seja como for, não devemos lamentar as eventuais imperfeições da obra reconstruída, desde que não houve prejuízo da volumetria, nem perda da unidade. Em 1949 o então DPHAN (Departamento do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) iniciou a remoção da repintura dos elementos da nave, feita no século XIX, sem que tenha concluído esse trabalho. A partir de meados de 1980 o IEPHA-MG, realizou um trabalho considerável de conservação interessando diversas partes da obra, como telhado, forros, pisos, pintura, rede elétrica, rede hidráulica, inclusive chafarizes, entre outros serviços. Esse trabalho de capital importância interveio oportunamente, de vez que o monumento estava já em vias de deterioração, por simples abandono e incúria dos responsáveis. Entre outras glórias da Matriz de Antônio Dias está o fato de ter nascido, vivido, trabalhado e morrido na paróquia de Antônio Dias, o maior artista do Brasil: Antônio Francisco Lisboa. Tanto ele como seu pai, o arquiteto da Matriz, estão enterrados na velha e ilustre igreja de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias. Permanecem, hoje ainda, resquícios da rivalidade entre as duas paróquias, a de Antônio Dias e a de Ouro Preto, na qual a Matriz é Nossa Senhora do Pilar. Rivalidade que remonta à luta entre Paulistas e Emboabas, brasileiros de Antônio Dias, a primeira fundação e portugueses do Pilar. A Matriz da Conceição permanece com os fumos e glórias do passado, um dos monumentos mais importantes do Brasil. DescriçãoA igreja localiza-se após uma longa descida, de quem vem da praça Tiradentes, pela antiga rua Direita. Chega-se pelos fundos do monumento, até chegar à fachada que é voltada para antiga região de lavras. Cercada por uma moldura de casas simples, já deixados para trás as casas fidalgas como a de Gonzaga. O casario baixo valoriza e dá escala monumental à massa imponente da Matriz. O acesso é limitado por uma grade de pouca altura, limitando o adro. A frontaria é a das grandes Matrizes mineiras, dividida em três corpos por cunhais e pilastras, de capitéis clássicos. A portada é bastante simples, em verga curva, com cimalha e duas pontas de volutas, entre as quais está um pequeno brasão imperial. De cada lado, como de costume, as duas janelas rasgadas ao nível do coro, com sacadas de ferro, e acima do brasão o óculo quadrilobado envidraçado. O grande entablamento, que corre ao longo do grande bloco que contém a nave, incurva-se sobre o óculo, continuando a mesma modenatura. Acima, levanta-se o frontão decorado com motivos curvilíneos, numa composição de curvas e contracurvas e duas pilastras; os elementos ornamentais são em estuque; o frontão é terminado por uma cornija reta encimada por dois coruchéus e a cruz com resplendor sobre pedestal baixo, apoiada sobre o crescente lunar, um dos símbolos da Imaculada. As duas torres prismáticas chanfreadas nos cantos contêm os sinos e são cobertas por cúpulas de alvenaria, terminadas por coruchéus. No corpo das torres, abaixo do entablamento, duas frestas alongadas iluminam, na torre do lado esquerdo, a escada de caracol e do lado direito o batistério. O longo bloco da construção, que ocupa uma área de cerca de 55,00 x 20,00m, divide-se em dois corpos: o da nave e o da capela-mor, corredores, sacristia, consistório. O primeiro é mais alto, e ambos cobertos por telhados de duas águas. Entremos agora, para contemplar o interior. A nave apresenta uma seqüência de oito altares e retábulos, além dos púlpitos e um revestimento de talha cobrindo as paredes. A entrada vê-se a pia de água benta, trabalhada em pedra-sabão; o batistério com grande pia de pedra e pintura representando o batismo de São João. O grande tapa-vento é de madeira, com tarja entalhada e vidros. O coro é suportado por colunas duplas e grande arco, fechado por grade de balaústres torneados em jacarandá, dando acesso às tribunas do corpo central (nave) em número de quatro de cada lado, em forma de sacadas fechadas por balaústres idênticos aos do coro. Há oito quadros oblongos, correspondendo aos altares. O teto é simples, com um grande lustre antigo, de cristal e mais nove menores, sendo que um pendendo da tarja situada na parte média do coro e os demais suspensos em suportes fixados na tarja de cada um dos retábulos. Há ainda outros menores, colocados no alto de cada tribuna. Quanto aos altares, no sentido da entrada: o primeiro à esquerda sob a invocação de São José com bela imagem do Santo e do Menino; a talha, como a dos outros altares, é extremamente rica, correspondendo à época de Dom João V, em pleno apogeu do barroco. O tratamento dos altares, retábulos, púlpitos, tribunas e do revestimento em geral é em branco e ouro, pintura e douramento a folha de ouro. O conjunto da talha da nave é ressaltado pelos retábulos, com a ornamentação fitomórfica, as colunas torsas, os baldaquins e sanefas, toda uma multidão de figuras de anjos, serafins.
Localização: Freguesia de Antônio Dias.
Data da construção: 1727. Autor do projeto:Manuel Francisco Lisboa. Proprietário: Arquidiocese de Mariana. Tombamento: Processo nº 75-T, Inscrição nº 247, Livro Belas-Artes, fls. 43. Data: 08.IX.1939. Finalidade atual: Culto religioso. Fonte: Guia dos Bens Tombados - Minas Gerais. 1984 |
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